Patrick Bruel

Vamos direto ao ponto: Patrick Bruel é o meu crush francês. Mesmo ele sendo vinte anos mais velho do que eu. Mesmo eu sendo vinte anos mais velha do que a idade aceitável para se usar a palavra crush.  Quem primeiro me introduziu à ele foi o Marido. Quando ainda namorávamos, depois de ouvir muita reclamação sobre eu ter comprado gato por lebre pois ele deveria ser romântico como um francês, o pobre Marido um dia me mandou um link do YouTube com um vídeo do Patrick Bruel, e eu me apaixonei. Pelo Patrick, claro, pois a música nem era romântica nada e o Marido até hoje sofre as consequências do ato.

Patrick é quase uma unanimidade na França. Tipo uma mistura aperfeiçoada de Roberto Carlos, pela longevidade, e de Wando, pelas caras e bocas e pela habilidade em despertar o fogo e a paixão em senhoras na menopausa. Mas talvez o melhor equivalente tupiniquim de Patrick Bruel seja o Fábio Júnior. Imaginem o combo cantor+ator bonitão sem os mil casamentos e sem as plásticas e os botox. Imaginem um Jorge Tadeu com sotaque francês. Mas brincadeiras à parte, Patrick é cool de verdade. Cool ao nível de fazer dueto com Chico Buarque, cantando em português (vídeo abaixo). Très cool prá caramba.

Patrick num look branco total, cabelo poodle e cavanhaque de mosqueteiro francês. E o Chico, perfeito, como sempre

O Marido foi a um show dele na adolescência. Disse que foi obrigado a ir para acompanhar a irmã (ã-hã), mas que chegando lá foi legal pois Bruel é um showman de verdade. E esse mesmo Marido, que ouve música clássica no rádio do carro toda manhã e que foi a um punhado de shows de rock (daqueles cujos cantores não foram amados quando crianças), sempre canta junto quando eu coloco o Patrick prá tocar.

E um dia no ano passado, depois de um vôo interminável, durante a ingrata tarefa de tirar as mamadeiras da Caçula da bagagem de mão na esteira do aeroporto de Paris, eu o vi bem atrás de mim. Antes dele, as únicas celebridades que eu havia encontrado foram o Patati e o Patata, que compraram luvas na loja de fantasias da minha prima em Londrina. Olhei para o Marido e ele deu uma risadinha, provavelmente preocupado em me ver dando escândalo. Olhei para a Primogênita e vi quando ela casualmente virou e deu de cara com ele. Abriu a boca e arregalou os olhos. Continuou paralisada olhando para ele, para mim, para ele, para mim. O pessoal do raio x do aeroporto começou a se agitar, uns flashes apareceram aqui e ali, do pessoal do lado errado da fila. Me perdi um pouco observando o Patrick Bruel tirando o cinto da calça bem ao meu lado… balancei a cabeça para afastar pensamentos inapropriados e voltei a colocar as mamadeiras na bandeja.

Do outro lado, o Marido perguntou se eu queria pedir para tirar uma foto. Aff, claro que não! Não tem nada mais brega, mais beauf do que tirar fotos com celebridades. Imagine incomodar o cara lá, de jeito nenhum… Mas daí um funcionário do aeroporto pediu para tirar foto com ele e a minha classe e sofisticação foram prá cucuia. Coloquei o meu telefone na mão do Marido, puxei a Primogênita prá perto de mim e assim que o funcionário terminou de tirar a foto dele eu fui chegando e perguntei “can we take a picture with you?”. “Ah, with the whole family?”, disse ele. E a foto foi tirada.

À esquerda, a Primogênita mostrando todos os seus poucos dentes, ao meio, eu tentando manter a dignidade ao perceber que cheguei ao nível de pedir foto com celebridade, as perninhas roliças da Caçula saindo do canguru que eu usava para carregá-la, e à direita o Patrick Bruel, com a cara simpática de quem já tirou milhares de fotos como aquela, uma mão no meu ombro, a outra desaparecida por trás das minhas costas. “Ele estava apertando minha bunda nessa hora, por isso estou com essa cara”, eu disse mais tarde, quando conseguimos parar para olhar a foto direito. A Primogênita me olha espantada: “sério?”. Ao mesmo tempo, eu e o Marido falamos a mesma coisa: “nos meus sonhos”, “nos sonhos da sua mãe”. Rimos e ainda continuamos a falar sobre o assunto mais um pouco, que nos meus sonhos eu certamente não estaria com o desodorante vencido, sem escovar os dentes há horas e com um filete de cocô da Caçula na blusa (quem já trocou um bebê em banheiro de avião sabe do que estou falando).

Já tinha esquecido dessa história até ir buscar a Primogênita na escola ontem. Indo para o carro, acompanhada de uma amiguinha e da sua mãe, ela solta: “sabia que o Patrick Bruel pegou na bunda da minha mãe?”. A mãe me olha e dá um sorrisinho sem graça. A amiguinha olha prá minha bunda. A Primogênita parece se sentir orgulhosa em transmitir a informação. E eu não consigo achar um buraco grande o suficiente para esconder minha cara de vergonha. Nem nos meus sonhos. Nem nos meus sonhos…

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