Conto Árabe – O Jovem que carregava seus pais

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Aqui em Omã o Dia das Mães é celebrado em março. Para comemorar a data aqui vai mais um conto do folclore Omani, baseado no livro Omani Folk Tales, de Hatim Al Taie e Joan Pickersgill, e nas versões dos meus alunos.

O Jovem que carregava seus pais

Há muitos e muitos anos, vivia no pequenino vilarejo de Amerat, próximo a Mascate, um bondoso jovem. Seus pais eram muito velhos e frágeis, e o rapaz tudo fazia pelo seu bem-estar. Eles eram tão fracos e debilitados que o jovem os levava junto de si por onde quer que fosse, em grandes tapetes que ele tecia com folhas de palmeiras, um para cada. Amarrava um jugo nos seus ombros e pescoço para aguentar o peso, e levava os pais, um de cada lado, enquanto cuidava dos seus afazeres.

Um certo dia, ouviu o casal falando baixinho, e horrorizado descobriu que seus pais estavam tramando sua morte, planejando come-lo em seguida. Naquele momento percebeu que seus pais eram sa’hara, feiticeiros perigosos. Desolado, o jovem chorou sem saber o que fazer. Foi então que decidiu ir até a cidade de Medina, pedir conselho ao grande profeta Maomé. Deixou seus pais sob os cuidados de outros parentes, cuidando para que eles não percebessem que ele havia descoberto seu segredo, e juntou-se a uma caravana rumo à grande Medina.

Em lá chegando, foi imediatamente a procura do profeta e contou-lhe sua história. Maomé ouviu suas palavras com cuidado, pensou, e enfim disse ao jovem:

“Faça o que quiser com seu pai. Mate-o até, caso ele venha ameaça-lo e atentar contra sua vida. Mas sua mãe, não importa o que ela faça, seja matá-lo, comê-lo ou seja lá o que for, jamais toque em um fio sequer de seus cabelos. O paraíso está aos pés de sua mãe.

O profeta ainda falou ao jovem que o vínculo com sua mãe era como o cordão umbilical, tão forte que jamais poderia seria cortado.

 

Nota da tradutora que vos escreve: Esses contos Omanis são deliciosos de ler, seguindo o estilo das Mil e Uma Noites. Infelizmente (para os nossos padrões atuais) a maioria acaba assim, sem um desfecho claro. Perguntei aos meus alunos o que o jovem fez ao voltar para Omã e eles disseram que não importa, o que vale é a mensagem do profeta Maomé sobre nosso dever para com nossas mães – mesmo que elas queiram nos comer.

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