Como consumir menos carne, mesmo quando sua família adora um churrasco

reener

 

Se tem um grupo de pessoas que eu admiro muito são os vegetarianos e veganos. Quanta disciplina e força de vontade para seguir seus princípios num mundo ainda tão pouco interessado em sustentabilidade e benevolência para com os animais. Dizer nunca mais para carne é difícil. Muito difícil! E quando o resto da família não faz questão de evitar, ou ainda, quando o resto da família ama comer carne, a hora das refeições pode virar um momento frustrante para todos os envolvidos. E se você, irresponsavelmente, acabar no hospital com uma anemia descrita pela médica como ‘só antes vista no tempo de residente numa vila paupérrima da Índia’, a pressão familiar para encher o prato de carne aumentará. Mas durante os últimos anos conseguimos encontrar um equilíbrio no nosso consumo, reduzido à mais ou menos 2 frangos e dois quilos de carne por mês, para nossa família de quatro pessoas (não inclui refeições feitas fora de casa). Abaixo, algumas dicas para reduzir o consumo de carne que funcionaram com a gente:

  • Das seis refeições que fazemos juntos em casa por semana, três são vegetarianas e três incluem carne. Quando comemos fora, cada um come o que quer. No almoço, a Primogênita come na cantina da escola (que serve carne), e o Marido come ou o que sobrou da janta quando tem, ou qualquer coisa perto do escritório dele.
  • Faço um frango inteiro durar três refeições, para nós quatro: uma com as coxas e sobrecoxas, uma com o peito, e a outra com a carcaça e o resto da carne, que geralmente vira base para sopa.
  • Faço um quilo de carne também durar três refeições: um panelão de molho de tomate com carne moída, que depois divido em três porções e uso no macarrão, na lasanha, no escondidinho. Ou uma receita de Boeuf Bourguignon com uma proporção maior de legumes, que dá bastante molho. Divido em três partes e congelo duas no dia que faço. Assim, a quantidade de carne consumida em cada prato é consideravelmente menor que a porção ‘padrão’, mas ainda está lá.
  • Como a quantidade de carne é reduzida, vemos ela mais como um acompanhamento do que como prato principal. É mais fácil adaptar as proporções do que ver ela desaparecer de vez.
  • Sempre que encontro compro frango free range, aqueles que vivem livres antes de serem abatidos. Em Dubai achava fácil, mas infelizmente aqui em Mascate é raro encontrar. Custam bem mais caro, mas acredito que o mínimo que podemos fazer é estimular essa indústria (sorry, Sadia).
  • Um truquezinho psicológico: um sobrinho adorou uma batata com salsinha que eu fiz, e desde então eu chamo aquela receita de ‘Batata do Théo’. A Primogênita então quis porque quis ter um prato vegetariano especial dela, e por fim acabou escolhendo uma massa com molho de brócolis, que só pode ser chamada de ‘Penne da Primogênita’. Assim, por algum motivo, parece que o dia que tem o ‘Risoto de abobrinha da Mamãe’, o ‘Ratatouille do Papa’ ou a ‘Torta de legumes da vovó’, o jantar parece extra especial. A Caçula ainda não tem um prato dela pois ainda não sabe se pronunciar.
  • Aproveitamos para experimentar pratos vegetarianos de países diferentes, principalmente indianos pois existe uma comunidade grande aqui.
  • Outro truque (ou golpe baixo, segundo o Marido), é que eu só faço sobremesas no dia das refeições vegetarianas. A ideia é desavergonhadamente clara no propósito de alegrar as noites sem carne.
  • Conversamos bastante sobre o porquê de estarmos fazendo isso. A carne no nosso prato, e a ausência dela, nos convida a falar sobre Gratidão, sobre Ética, sobre Sustentabilidade, sobre Direitos e Deveres, sobre Nutrição, sobre Crueldade. Sobre a real vontade de comer uma picanha inteira de vez em quando, e sobre consumo consciente. Sobre a necessidade de sairmos da nossa zona de conforto e darmos passos, mesmo que pequenos, em direção à um mundo melhor.
  • E quando (raramente) reclamam eu ameaço nunca mais fazer nenhum tipo de carne, digo que vou fazer minhas malas e ir embora, ou que vou me jogar da janela, ou que a cozinha está aberta para quem quiser cozinhar, ou que quem não quiser comer que vá dormir com fome e espere a próxima refeição no dia seguinte. Super democrático e sempre funciona.

E bora fazer um creme de alho porró e batata para a janta!

2 comentários sobre “Como consumir menos carne, mesmo quando sua família adora um churrasco

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